
Vivi os meus 20s a pensar em reformar-me, sempre com um estilo de vida confortável mas poupadinho. Tudo mudou quando decidi casar e juntarmos 100% das finanças.
No início foi confuso e emocional, deixar de pensar no “meu” e começar a pensar no “nosso”. Eu, que estava completamente ligada às finanças, com os meus 1001 Excel, do outro lado tinha 0 Excel. Claro que tivemos (e ainda temos) muitas conversas sobre como gerir os nossos rendimentos e despesas.
Começámos por aplicar o que eu sabia: limites e restrições. Criámos um orçamento “à la Ana”, com uma mentalidade focada 100% no futuro e na reforma, seguindo o ditado português: “No poupar é que está o ganho.”
Vivíamos com um modelo que hoje consideramos não fazer sentido para nós — mas que pode fazer para outros. Aqui estava o guia de despesas:
- 40% gastos – isto incluía todos os nossos gastos, até divertimento
- 40% investimentos
- 20% poupanças para férias ou coisas de que precisávamos comprar como um computador.
Inicialmente, parecia um plano bom, mas a verdade é que não o seguíamos à risca, porque não fazia sentido para a altura em que estávamos e porque ainda estávamos a aprender a viver a dois.
Foi então que começámos a procurar alternativas e acabámos por descobrir a série “How To Get Rich” na Netflix. Foi uma revelação para nós, porque as lições ensinadas fizeram muito sentido. Tanto ele como a Bárbara Barroso falam muito sobre a relação que temos com o dinheiro e sobre as lições intrínsecas que moldam a forma como lidámos com ele.
Perceber isso foi crucial para quebrarmos o ciclo em que estávamos. Não fazia sentido uma só pessoa decidir sobre as finanças do casal, pois estávamos a ser guiadas pelas minhas lições, falhas e objetivos, e não pelos nossos.
- Aprendemos aquela nova filosofia
- Gastar extravagantemente nas coisas que gostas e cortar nas coisas que não gostas.
- Fizemos uma introspecção
- Quais são as lições intrínsecas que tenho? – (A minha é poupar, ensinada pela minha mãe. Cresci sem grandes férias e lembro-me de uma discussão dos meus pais sobre um Corneto, o que me marcou tanto que ainda hoje tenho dificuldade em comprar um gelado num café.)
- Será que me estou a fazer de vítima ou a criar desculpas? (“não ganho o suficiente”, ”ninguém me ensinou”)
- Fizemos a perguntas divertidas e que felizmente todos temos respostas diferentes
- “Porque quero ser Rica?”
- “O quê que significa ser rica para mim?” – Para mim, significa experimentar comida nova, ir a restaurantes e provar pratos que me despertem sensações — fazemos isto uma vez a cada três meses.
- Como eu gostava que fosse o meu dia? – (Descobri que um dos meus momentos preferidos é fazer café, tão simples quanto isso.)
- Fizemos um money date para partilhar o que descobrimos e criar a nossa “Vida de Rico”. Com atenção a tudo o que tínhamos descoberto individualmente e com tudo o que gostávamos de atingir como casal.
- O que queremos atingir juntos? – Uma viagem ao Havaí
- Como é a nossa Vida de Rico em conjunto? – Para nós, por exemplo, tomar o pequeno-almoço juntas tornou-se um momento simples, mas precioso.
- Orçamento consciente de gastos
- 60% – para despesas fixas
- 10% – investimentos
- 10% – poupanças de curto prazo
- 20% – para Gasto Sem Culpa
Admito que ainda não seguimos estas percentagens à risca. Há meses em que investimos mais, outros em que poupamos mais a curto prazo, e para ser sincera, acho que ainda não tivemos um mês com 20% de gastos sem culpa! 😅
Mesmo assim, o importante é que estas percentagens são um guia, uma filosofia. A nossa Vida de Rico é só nossa, e só nós a podemos decidir.
A última categoria pode parecer forte, mas é libertador não sentir culpa ao gastar! Este dinheiro é para gastar em algo que nos dá prazer, como um workshop de culinária ou uma ida ao teatro. Mas sempre com foco no princípio: “Gasta no que amas, corta no que não amas.” Eu, por exemplo, não gosto de comprar roupa (exceto casacos), por isso compro peças que duram bastante para não ter que gastar dinheiro e tempo em algo que não me traz prazer.
Partilho aqui um template em português e em euros do orçamento que usamos, inspirado neste.
Uma das grandes mudanças que esta filosofia nos trouxe foi implementar os “Money Dates”. Uma vez por mês, reunimo-nos para refletir sobre o mês anterior e planear o próximo. Parece nerd, mas é divertido! Tentamos sempre fazer algo diferente, seja a beber uma mini ou a comer pizza — é um date.
Também fazemos um “retiro anual”, onde paramos para avaliar os nossos objetivos como casal e planeamos o novo ano… um momento de sonhar e organizar.
E vocês, como fazem a gestão das finanças em casal? Quais são as perguntas que fazem?
Com carinho,
Ana

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