
Há fenómenos que não consigo explicar. Entrar neste mundo da compra e venda de casas abriu-me os olhos para realidades que desconhecia. Coisas que fui percebendo com o passar das visitas e as conversas que tive com os donos e com as pessoas das imobiliárias. Creio ter chegado à conclusão de que talvez uma mudança seja essencial para progredir e ter casas boas e bem tratadas.
Todos já caminhámos pelas ruas portuguesas, e se levantarmos a cabeça, vemos o quão degradados os prédios e as casas estão. Torna-se até um pouco anedótico, porque vemos casas a cair que, neste momento, estão a ser valorizadas como se tivessem tido e continuassem a ter as manutenções devidas. Infelizmente, esse raramente é o caso. Eu entendo a valorização do terreno onde a casa está implantada e quando a manutenção é feita de forma constante. Porque NADA, nem mesmo as casas, são para sempre.
A minha dúvida era: por que motivo tantos prédios estão nessas condições? Porquê tanto desapego pela casa quando a nossa cultura nos ensina que a casa é tão importante? — Não acredito que seja por gosto.
No caso de prédios de apartamentos, é até bastante simples de explicar. Visitei prédios em que o condomínio era 30 euros por mês, o que à primeira vista parece altamente, pagar pouco. Mas depois pedi as atas das reuniões de condomínio (deixo aqui o conselho de pedirem sempre as atas!!) e apercebi-me do porquê de o prédio estar mal tratado, feio ou de ter um cheiro estranho. Nem toda a gente consegue despender uma quantidade avultada de dinheiro facilmente, e como o condomínio não tem fundo de maneio (30 euros/mês), nada se consegue arranjar sem a contribuição permanente dos condóminos, que raramente estão em concordância ou dispostos a tal.
Criam-se assim prédios em mau estado, casas com humidade e frias (!!!), porque tudo o que não é mantido corretamente acaba por se estragar permanentemente… ou seja, são prédios bomba-relógio que não sabemos o que lhes vai acontecer entretanto — fujam destes problemas.
Isto leva-me a outro tópico que nunca tinha pensado, mas aprendi durante este processo: querer o último andar — o desejável último andar — não é uma boa ideia. Os novos telhados não são de telhas, são de uma tela que tem de ser trocada X em X anos (creio 10 anos). O resultado de não trocar ou trocar tarde é humidade no último andar e só no último andar. Agora imaginem a urgência dos outros andares para pagar essa obra…exato, não existe!
Quando dediquei algum tempo a refletir sobre este assunto dos prédios antigos e a manutenção, cheguei a outra conclusão, talvez errada, mas que me fez olhar para a compra de uma forma diferente. Se comprar um apartamento num prédio velho, sou a última a comprar e muito provavelmente a que vou pagar o maior preço, o que me leva a estar numa situação financeira e pessoal muito diferente dos restantes condóminos. Talvez acabe por estar mais disposta a fazer as melhorias/investir no prédio, tanto para manter o valor como para manter o apartamento na minha posse por mais tempo.
Uma outra coisa que me intriga é a inexistência de elevadores. Não só me fascina, como me irrita. Não faz sentido, não é um luxo e, sinceramente, apartamentos no 3º/4º piso sem elevador? As pessoas usem todas o Continente Online ou ninguém faz compras? Infelizmente, para este fenómeno, ainda não encontrei uma explicação válida além de construtores forretas.
Visitei um apartamento em construção, tinha quase tudo o que queria: um grande terraço e uma sala com muita luz. Mas deparei-me com uma situação: a pessoa que nos ia vender não era o construtor, mas alguém que tinha comprado vários apartamentos e estava a tentar vendê-los mais caros. Ou seja, o problema de seres o último a comprar é que provavelmente vais pagar mais. E, além do risco associado ao construtor ganhas o risco de o mercado cai e/ou mais pessoas fizerem o mesmo, vai-se tornar uma luta para ver quem baixa mais, e tu acabas com uma casa super/hiper valorizada nas mãos. — mais uma vez, cuidado.
O mundo imobiliário é muito interessante e com muitas dinâmicas que desconhecia. Sinceramente, mostra o porquê de muitas coisas estarem como estão, é um sentimento agridoce pensar nisto tudo. E vocês que lições já aprenderam?
Com carinho,
Ana
